Em um país onde o acesso à universidade ainda é profundamente marcado pela desigualdade social, iniciativas comunitárias vêm desempenhando um papel decisivo na transformação do perfil dos estudantes que chegam ao Ensino Superior público. Projetos que surgiram em territórios periféricos, muitas vezes impulsionados por organizações da sociedade civil, estão ampliando o acesso à educação e alterando trajetórias que, historicamente, eram limitadas por barreiras socioeconômicas.
Um exemplo desse movimento é o Pré-Vestibular Rede IVG, iniciativa do Instituto Pe. Vilson Groh (IVG), em Florianópolis, Santa Catarina, que abriu inscrições para sua turma de 2026. Criado com o objetivo de preparar jovens de comunidades periféricas para o ENEM e vestibulares de universidades públicas, o programa já levou centenas de estudantes ao Ensino Superior e se consolidou como um modelo de impacto educacional estruturante.
Nos últimos cinco anos, o pré-vestibular atendeu 504 estudantes, dos quais 251 conquistaram aprovação em universidades federais, estaduais e institutos federais. O dado revela um índice de aprovação próximo de 50%, significativamente superior à média nacional entre estudantes de baixa renda. Em 2025, o programa registrou 15 aprovações entre os 53 participantes, incluindo uma no curso de medicina, uma das formações mais seletivas do país.
Fundado em 2011 e completando 15 anos em 2026, o Instituto Pe. Vilson Groh atua com foco na inclusão social por meio da educação e do desenvolvimento humano. O pré-vestibular integra uma rede mais ampla de programas voltados à formação integral de jovens. “O acesso à universidade representa muito mais do que uma conquista individual. Ele rompe ciclos históricos de exclusão e cria novas possibilidades para famílias inteiras. O pré-vestibular é um espaço onde os educandos não apenas se preparam academicamente, mas passam a compreender o papel da educação como instrumento de transformação social”, afirma Tainara Lemos, coordenadora de programas e projetos do Instituto Pe. Vilson Groh.
Mais do que preparar para provas, o programa incorpora uma proposta de formação sociopolítica, permitindo que os estudantes compreendam o papel da universidade, da ciência e do conhecimento na construção de uma sociedade mais justa. O objetivo é formar não apenas universitários, mas cidadãos conscientes de seu papel social.
A edição de 2026 oferecerá inicialmente 40 vagas para o curso extensivo, realizado em parceria com professores voluntários de uma escola privada na capital]. As aulas acontecem presencialmente no Centro de Florianópolis e incluem, além da preparação para o ENEM e vestibulares, atividades complementares como saídas de campo e experiências formativas que ampliam o repertório cultural e acadêmico dos estudantes.
O avanço de iniciativas como essa ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta o desafio de ampliar o acesso ao Ensino Superior e reduzir desigualdades educacionais históricas. Segundo dados do IBGE, jovens das camadas mais altas da população ainda têm mais que o dobro de acesso à universidade em comparação aos jovens de baixa renda.
Nesse contexto, programas comunitários assumem um papel estratégico ao atuar diretamente na base da desigualdade educacional, criando condições reais para que estudantes historicamente excluídos possam ingressar em instituições públicas e ocupar espaços que antes lhes eram inacessíveis.
As inscrições para o Pré-Vestibular Rede IVG seguem abertas até o dia 24 de fevereiro, no link: https://redeivg.org.br/prevestibular/.